quinta-feira, 16 de outubro de 2014

A Colecionadora De Capricho

Postado por Rafaela A. Peres às 19:10
E a mochila era carregada sem nenhuma responsabilidade. pasta de dente. escova. lancheira. giz. caderno. Fadas existiam, nuvens eram feitas de algodão, números só apareciam no controle da televisão, minha maior preocupação era fazer minha mãe colocar primeiro o toddy no copo e depois o leite, porque o gosto era diferente se o leite fosse colocado primeiro que o toddy. 
Eu só esperava que as baleias do mundo inteiro tivessem a cor rosa.
Naquele tempo eu comia bala e escrevia na embalagem um sincero recado para o dono do meu coração que graças a admiração, não era o mais bonito da turma, mas eu sempre achei que os defeitos das pessoas é que as tornam diferente das outras. 
Olhares perdidos no mesmo sentido, sorriso tímido de lado era o que me contentava. A realização maior era ter mãos coladas até suar no recreio, e alguns beijinhos delicados na bochecha. 
Depois dessa fase meu senhor, parece que o afeto do mundo inteiro decola no maior horizonte do céu e simplesmente desaparece, mas eu nasci com esperança de borboleta e asas de gaivota, sou capaz de voar até ver nascer braços dispostos a abraça las sem nunca mais querer soltar. 
Acredito que a torrada precisa da manteiga, o anel precisa do dedo, a criança precisa da sopa, a árvore precisa do sol, o sorvete da casquinha, e o meu coração só precisa de aventura. 
Me refiro ao sentimento instantâneo que é capaz de esquentar algum gelo e da mesma forma que sabe nos machucar encontra cedo ou tarde a maneira de nos alegrar. 
E eu vou achar, estou capturando as melhores flores na minha rede mas somente a que for resistente ao vento, vai ser plantada no meu jardim. 
Dizem que só vai existir grama nele porque não existe pétalas resistentes ao ponto do meu bem querer, mas os conselhos que não me agradam, simplesmente os guardo dentro de um pote na espera de quem sabe um dia, talvez se jogar um pouco de lantejoula eles vão fazer algum sentido. 
Enquanto você se distraia na leitura, encontrei a palavra que tanto procuro , e ela é tão curta, tão forte, tão sincera, tão comovente, só carrega consigo quatro letras, meu caro é dele mesmo que estou falando, do amor.
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2 comentários:

Joana Masen disse...

Rafa, que texto lindo, adorei! Delicado e cheio de sensações, com um toque de Clarice Lispector encantador. Continue escrevendo sempre.

Rafaela A. Peres disse...

Uma escritora me tocando com elogios, e usando casualmente as melhores palavras, me deixando sem nenhuma. Que fofa, sinceramente?Um obrigada profundo pra você. E que não falte sucesso para a gente.

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